Date: Dezembro 15, 2020

Author: Eu Consigo

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Terapia Ocupacional e o AVC

Texto: Inês Gomes

fonte:1*

O processo de recuperação após um AVC é um processo longo que afeta todos os intervenientes (não só o cliente, mas também a sua família e amigos). A recuperação pode ser total ou, então os clientes podem sofrer diversos danos que provocam vários défices que duram toda a vida. Minimizar os efeitos das sequelas e permitir uma vida o mais autónoma, independente e realizada é o principal objetivo do terapeuta ocupacional que trabalha com a vítima de AVC.

Existem inúmeras alterações causadas por AVC, tais como, défices ao nível das funções motoras que são caracterizados por paralisias parciais/incompletas (hemiparesia) ou completas (hemiplegia) no hemicorpo (oposto ao local de onde ocorreu a lesão cerebral), do tónus muscular, a presença de reações associadas, a perda do mecanismo de controlo postural. Para além disto, também podem surgir dificuldades cognitivas. Existem ainda alterações nas funções sensoriais, preceptivas, comunicativas e comportamentais. É muito importante não esquecer a dependência após o AVC nas várias atividades de vida diária, desde os autocuidados até às tarefas complexas, como o trabalho.

Após alta hospitalar cerca de 80% dos clientes regressam a casa, mas pelo menos metade necessita de ajuda permanente ou temporária, parcial ou total, para o desempenho das suas AVD´s. Este tipo de apoio, geralmente é fornecido pelos vários elementos da família que assumem um papel de cuidadores. Também, cerca de 40% destas pessoas que sobreviveram, não têm possibilidade de voltar ao trabalho no primeiro ano após o AVC.(Jesus & Esteves, 2018)

“Com a preciosa ajuda e colaboração destes profissionais, neste momento a recuperação da minha mulher é uma realidade quase inacreditável, graças ao trabalho, ao conhecimento de técnicas apropriadas a cada caso e em cada momento e, ao saber efetivamente como as coisas devem ser feitas. Em suma, eu aprendi muito, recuperei a minha independência e autoestima, que estava à beira do esgotamento, e a minha mulher hoje, voltou praticamente a ter uma vida normal.”

João Vieira

Na presença de sequelas resultantes do AVC, o cliente sente a necessidade de se adaptar a um novo estilo de vida, pois deixa de executar algumas das funções que anteriormente era capaz de desempenhar de forma independente, passando a realizá-las apenas com o membro não afetado ou com algumas dificuldades. No entanto, para evitar danos maiores no membro afetado, tais como contraturas, encurtamentos e rigidez articular, é fundamental a estimulação e mobilização deste membro. Ou seja, as vítimas de AVC sofrem frequentemente uma diminuição da qualidade da vida devido aos fatores apresentados anteriormente e ainda a fatores psicológicos tais como o sentimento de inutilidade, o sentimento de perda de autonomia e o sentimento de dependência de outras pessoas, que podem conduzir a situações de depressão, por exemplo.

Desta forma, torna-se fundamental o apoio da Terapia Ocupacional visto ser uma profissão focada nas ocupações dos clientes, ou seja, nas suas atividades da vida diária de forma a promover a independência e autonomia do mesmo.

“Numa situação tão difícil como o AVC da minha mãe foi muito importante a ajuda do terapeuta ocupacional tanto com a minha mãe como connosco (família). A palavra de incentivo e os conselhos foram extremamente necessários para esta encaminhada longa que é a recuperação.”

Marta Fernandes

A relação terapêutica e as verdadeiras necessidades dos clientes:

Os terapeutas ocupacionais (to) desenvolvem uma relação terapêutica com os seus clientes de modo a perceber a sua história, experiências, dificuldades, capacidades e desejos para a reabilitação. Desta forma, os clientes identificam e compartilham as suas necessidades e prioridades ao nível das ocupações. Para a Terapia Ocupacional o desempenho do cliente nas ocupações, resulta da inter-relação dinâmica entre o contexto, o cliente e o ambiente. Dito isto, podemos deferir que a terapia ocupacional ao domicílio acaba por ser uma das melhores opções a nível da reabilitação porque o cliente encontra-se no seu contexto o que consequentemente torna mais fácil obter um melhor desempenho. Para além disso, o terapeuta consegue ter uma melhor perceção das dificuldades do cliente assim como das capacidades do mesmo para com elas lidar, quando e onde surgem.

Muitas vezes após o AVC, as necessidades mais profundas do cliente acabam por ser desvalorizadas para se dar prioridade a atividades consideradas mais urgentes tais como o alimentar, o vestir, cuidados de saúde e higiene. Desta forma, a Terapia Ocupacional revela-se um facilitador na atuação com este tipo de população, visto que a capacita a fazer o melhor uso possível das suas competências. Procura proporcionar ao cliente condições para lidar com os desafios através de diversos estímulos tais como estímulo ao autoconhecimento e ao autocuidado, proporcionando progressivamente, a par da obtenção de resultados positivos, uma melhoria na autoestima. O objetivo é que a pessoa construa uma forma de se relacionar com o ambiente que lhe permita ser autónoma e independente. Defende que o envolvimento em ocupações permite a estruturação de uma rotina o que consequentemente contribui para o bem-estar e uma melhor qualidade de vida, ou seja, é importante que o cliente tenha uma rotina estruturada e consiga realizar ocupações significativas. Estes possuem desejos, vontades, interesses que acabam por ser deixado para trás devido à priorização das questões mais prementes sendo que o terapeuta ocupacional ouve estes desejos/vontades e tentam utilizá-los na reabilitação. Através da escuta ativa, é possível construir uma boa relação terapêutica e através desta conhecer esse tipo de objetivos do cliente, que são muito válidos e muitas vezes acabam por ser motivadores para a reabilitação.

A TO pode realizar variadas atividades como é o caso de atividade física/funcional como por exemplo treino de AVD’s, treinos focados na estimulação da concentração, memória, atenção, raciocínio lógico, dinâmicas de grupo com o objetivo de desenvolver competências comunicativas como a expressão de sentimentos, e estimular relações interpessoais, atividades de lazer de modo a promover a participação social, entre muitas outras.

“Após uma entrevista de avaliação foi elaborado um plano de tratamentos que incidiu mobilização do membro superior esquerdo (sem movimento ativo) treino de marcha na rua e de subida e descida de degraus e treino de atividades da vida diária (despir e vestir roupas e apertar atacadores apenas com recurso a um membro superior, além de exercícios de treino de equilíbrio. passado algum tempo verifico que os níveis de confiança na marcha no exterior aumentaram muito bem como na subida e descida de degraus. o equilíbrio melhorou muito e manifesto uma melhor autonomia nas atividades da vida diária,” 

Vasco Alfaro Dias

Em suma, a Terapia Ocupacional através das ocupações favorece e/ou estimula a independência, a autonomia, o autoconhecimento, o bem-estar, a autoestima, as habilidades e as potencialidades de cada cliente. É de salientar que toda a reabilitação é feita com foco no cliente e nos seus interesses/vontades de modo a proporcionar uma melhor qualidade de vida. Com a Terapia Ocupacional, muitos dos clientes sentem que são ouvidos e acima de tudo que são respeitados visto que os terapeutas não olham para as suas incapacidades, mas sim para as capacidades que estes ainda possuem de modo a obter um aproveitamento das mesmas para que os clientes tenham uma vida mais autónoma. Nesta profissão, o cliente é visto de uma maneira holística, ou seja, o cliente é um todo e não apenas partes, o que consequentemente promove uma melhor reabilitação. Além de a Terapia Ocupacional ter como foco o cliente, esta tem em conta no processo de reabilitação os contextos em que o cliente está inserido de forma a adaptá-los para que o cliente tenha um melhor desempenho e consiga frequentar os mesmos locais e realizar as atividades que lhe proporcionavam prazer antes do AVC.

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