E depois da alta hospitalar? 8 questões a colocar (antes do preço) a um prestador de cuidados.

O regresso a casa depois de um internamento hospitalar é sem dúvida um momento feliz, mas pode também fazer surgir muitas dúvidas e pressões, quer para a pessoa que esteve ou está doente, quer para os seus familiares e cuidadores que se perguntam “como lidar com a situação?”.

Seja qual for a causa e a duração do internamento hospitalar, uma coisa é certa: todos ficamos felizes e gratos quando podemos regressar a casa. No entanto, apesar da evolução recente operada nas altas clínicas e sociais hospitalares, nem sempre é possível assegurar que os doentes conseguem no período após a alta receber todos os cuidados de que necessitam.

Um doente que foi vítima de AVC ou de Traumatismo Crânio-Encefálico, com sequelas graves, ou um doente que perdeu repentinamente a capacidade de andar, por exemplo, deparam-se em casa com o horizonte de uma nova vida, uma vida com limitações, com a qual nem sempre estão preparados para lidar.

Acresce que os cuidadores informais, nomeadamente os familiares, considerados o principal suporte da pessoa doente, idosa, com deficiência ou incapacidade, nem sempre estão preparados quer com o conhecimento técnico, quer com o suporte psicológico para aguentar a pressão que constitui a prestação de cuidados em casa por períodos prolongados.

Nestes casos é comum que tanto a pessoa directamente afectada como os seus cuidadores se sintam algo perdidos, sem encontrarem nos tradicionais serviços de apoio domiciliário, centros de dia, centros de noite, entre outros, as respostas de que necessitam.

O facto é que as respostas sociais, apesar de nos últimos anos se terem diversificado e aumentado de qualidade, estão de um modo geral sobrecarregadas – não sendo sempre possível encontrar vagas nos serviços da área residencial do utente – e continuam a não proporcionar um nível de personalização capaz de responder às necessidades específicas de cada pessoa.

Se é verdade que no momento da alta é dada prioridade – se não mesmo exclusividade – ao encaminhamento para as respostas sociais por razões relacionadas, entre outras, com a poupança para as famílias, convém não esquecer que existem respostas alternativas. Não é de excluir à partida uma consulta a instituições privadas, com ou sem acordos/comparticipações, cujos preços nem sempre são tão altos como à partida se poderia pensar e que oferecem indiscutíveis vantagens.

Eis 8 factores que deve analisar antes do preço, no momento de escolher um serviço capaz de ajudar após a alta hospitalar:

●Capacitação e estimulação

O serviço permite-lhe acesso a profissionais – como os terapeutas ocupacionais – capazes de ajudá-lo a reorganizar a sua vida, lidando com as limitações que tem, aproveitando as capacidades remascentes e encontrando estratégias para se manter independente e autónomo?

●Personalização dos serviços

O serviço tem verdadeiramente em conta a personalidade e a história de vida do utente, encarando-o como uma pessoa única com gostos próprios, dias bons e dias maus, e não apenas mais um dos muitos utentes que é preciso ver durante o dia?

●Diversidade de serviços

O serviço disponibiliza aconselhamento sobre como adaptar a casa de modo a mantê-la segura e a facilitar a mobilidade e a autonomia do utente? Saberão ajudá-lo na escolha e treino de uso de produtos de apoio?

● Comodidade

O serviço permite-lhe fazer as terapias de que o utente necessita em casa, sem necessidade de deslocações, ou ajuda-o a encontrar transporte adaptado em caso de necessidade?

●Atenção e disponibilidade

A terapia está a ser realizada com a duração adequada e com a atenção plena do terapeuta, ou em meia hora por alguém que divide a sua atenção por mais utentes?

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● Aconselhamento à família

A intervenção é feita apenas com o utente, ou os profissionais de saúde estão a apoiar igualmente a família, indicando estratégias, conversando sobre os problemas que surgem e indicando possíveis soluções?

●Formação

As pessoas que estão envolvidas no serviço têm formação adequada? Estão a ajudar o utente ou a substituí-lo? Estão a contribuir para a sua valorização ou a retirar-lhe responsabilidades, prejudicando a sua auto-estima?

● Planeamento e follow-up

A intervenção está a ser realizada de acordo com um plano que permite estabelecer objectivos e atingi-los com vista a uma evolução, ou a intervenção é igual todos os dias sem que se apresente justificação para isso? Os objectivos estão a ser discutidos com o utente e os seus cuidadores?

É verdade que o factor preço é hoje determinante para muitas famílias. Porém, mesmo com reduzida disponibilidade de fundos, algumas pessoas considerarão tão ou mais importante que o preço os factores acima expostos. Precisamos de mudar mentalidades e de desenvolver uma cultura de exigência no que diz respeito à prestação de cuidados. Isso pressupõe analisar todas as alternativas antes de decidir. Afinal, quanto vale saber que se está a prestar o melhor cuidado?

 

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