“Das 8 às 20 sentada com a TV e depois… cama”.

Faleceu há poucos dias a mãe de Maria (nome fictício). No lar onde estava internada por causa de uma demência, passava todo o dia sentada, sem nada além da televisão. “Só se levantavam para ir à casa de banho e ao refeitório”, afirma.

Maria diz-se “muito sofrida”, não só pela situação que a mãe viveu, mas pelas de outros utentes que tiveram menos apoio das famílias. Nos fins-de-semana, férias, e muitos outros dias durante o ano, Maria e os irmãos levavam a mãe para casa, procurando dar-lhe toda a atenção possível.

Sentia que no lar se dava “mais importância aos planos para pôr em placards e nas redes informáticas do que ao trabalho efectivo com os idosos”. Foi-lhe dito que a mãe estava à espera da morte e que não havia nada a fazer. E relata: “as pessoas não são estimuladas; ficam sem andar; são rapidamente levadas a fraldas, mesmo que não queiram, porque é muito mais fácil dizer ´faça que tem uma cueca própria´ do que ir com eles à casa de banho.”

Hoje, Maria defende a existência de Terapeutas Ocupacionais nos lares, considerando que não é suficiente a presença de uma animadora. “Diziam-me que a minha mãe se recusava a participar, mas fui eu que lutei pelos relógios… pelos calendários … e por tudo o que engloba o conhecimento e informação ao nosso idoso”, declara.

Num mundo em que a demência se está a vulgarizar, Maria gostaria de ver os lares cuidarem não apenas do corpo mas também da mente (entendida como cérebro e espírito) das pessoas idosas, valorizando as memórias que ainda restam, estimulando o raciocínio possível e encorajando a realização autónoma de todas as actividades em que se utilizem capacidades conservadas. “Nada melhor que se promover autonomia, o conhecimento, a alegria, a motricidade, o amor próprio…”, argumenta.

Salientando que os diversos técnicos de saúde cabem “cada um na sua função”, Maria fez questão de contactar a Eu Consigo, encorajando-nos a continuar a esclarecer o papel dos Terapeutas Ocupacionais, especialmente junto dos lares.

Muitos lares e residências geriátricas ainda não possuem terapeutas ocupacionais nas suas equipas, seja por desconhecimento dos benefícios que estes técnicos podem trazer aos utentes, seja por considerarem que de alguma forma a existência de um fisioterapeuta, um animador ou um psicólogo é suficiente.

No entanto, os familiares podem optar por contratar um terapeuta ocupacional externo ao lar, para acompanhamento em contexto de lar, bastando para isso que obtenham autorização da instituição para que o mesmo possa frequentar o espaço fora das horas das visitas e acordar um horário para a intervenção.

Da mesma forma, quando o familiar sente que a pessoa ao cuidado não está a receber suficiente atenção personalizada, pode contratar um serviço de assistente pessoal que acompanhe o utente no lar durante algumas horas.

Estes são complementos interessantes mesmo nos lares e residências com funcionamento irrepreensível (que existem!) mas em que os profissionais, por terem de dar assistência a um elevado número de utentes, não conseguem atribuir a cada um a atenção de que precisa e que merece.

“Maria” é um nome fictício atribuído à pessoa que nos contactou e que não se quis identificar publicamente. Obrigado pelo seu importante testemunho.

Saiba se a terapia ocupacional pode ajudar no seu caso

Ligue 966 791 799 ou envie um e-mail e vamos ao seu encontro.

1 Response to ““Das 8 às 20 sentada com a TV e depois… cama”.”

  • Sílvia CorreiaMarço 8, 2016 at 12:08 am Responder

    Olá, “Maria”,
    a génese do projeto que tenho a honra de coordenar D’Avo With Love é exatamente essa: fomentar o envelhecimento ativo nos lares e junto das pessoas que necessitam de uma terapia ocupacional para a mente e para o coração.
    Já conhece o nosso projeto? Veja aqui //www.davowithlove.com
    Sílvia Correia

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