As folgas e o sentimento de culpa do cuidador

 “Se acontecesse alguma coisa, eu nunca me iria perdoar”, “ninguém é capaz de cuidar dele(a) da mesma forma que eu” ou “não consigo divertir-me sabendo que ele(a) está tão doente” são pensamentos que passam pela cabeça de muitos cuidadores que decidem ir de férias ou tirar folgas. É difícil aproveitar a 100% sabendo que alguém que ama está em sofrimento. A solução é encontrar a ajuda adequada e planear. Para uma folga descansada.

Ser cuidador de um idoso ou de uma pessoa dependente é uma ocupação extremamente exigente, principalmente quando se trata de um familiar ou de uma pessoa muito próxima. Não se trata de um trabalho 9 às 5, 5 dias por semana. Muitas vezes, é uma ocupação a tempo inteiro, sem direito a ordenado, subsídio de Natal ou dias de férias para gozar.

No entanto, todos os cuidadores merecem e precisam de folgas de vez em quando. Todos precisam de calar aquela vozinha que lhes diz que quanto mais vivenciarem o sofrimento do seu familiar mais estarão a ajudá-lo. Na verdade, os cuidadores que mais conseguem ajudar as pessoas ao cuidado são aqueles que mais força e energia positiva têm para partilhar. Disfrutar plenamente das folgas permite ao cuidador mudar o seu foco de atenção, interagir de forma significativa com outras pessoas e melhorar a sua saúde emocional. E essa é a melhor razão para darem a si próprios permissão para criarem folgas nas suas rotinas: um cuidador que descansa é um cuidador capaz de prestar um melhor cuidado.

O que pode um cuidador fazer para ter uma folga descansada?

Para que um cuidador possa ponderar ter folgas necessita de se libertar das limitações que existem e que acredita que não têm solução. Aqui ficam alguns exemplos:

Ninguém é capaz de cuidar dela/dele como eu cuido”

 

Embora esta ideia seja provavelmente verdadeira, não significa que mais ninguém seja capaz de realizar um bom trabalho ao cuidar do seu familiar. Ter outro cuidador como rede de suporte e ajuda, com o qual vai desenvolvendo uma relação de confiança, pode ser a solução para este obstáculo. Contudo, é difícil promover uma relação de confiança com outro cuidador se continuar a acreditar que é o único capaz de cuidar de forma eficiente e atenciosa. Há que mudar esta forma de pensar e dar uma oportunidade a alguém, seja da família, um amigo ou um serviço contratado. Quanto mais cedo começar a partilhar a responsabilidade com outra pessoa, mais tempo haverá para que esta adopte os hábitos e rotinas necessárias e possa provar-lhe que é merecedora da sua confiança.

“Se acontecesse alguma coisa, eu nunca me iria perdoar”

 

No centro desta preocupação encontra-se a ilusão de um controlo total. A pessoa acredita que nada de mal pode acontecer se estiver sempre por perto. É verdade que a sua vigilância constante promove a qualidade dos cuidados prestados. Contudo, a noção subjacente de que a sua presença é o principal factor para tudo correr bem traduz-se num sentimento exagerado de controlo e de responsabilidade. Há que reconhecer que por muito que seja competente, cuidadoso e atencioso, pode sempre acontecer algo – esteja presente ou não. Ninguém é perfeito, acidentes acontecem e nem tudo é previsível. No entanto, se recorrer a um cuidador com formação adequada, bem treinado, com padrões éticos e experiência comprovada, estará desde logo a diminuir drasticamente o risco. Há que ter em conta que um cuidador demasiado cansado constitui por si mesmo um risco considerável.

Sem mim ele(a) vai-se abaixo”

 

Aparentemente, existe um sentimento esmagador de responsabilidade neste tipo de afirmações, mas a verdade é que subjacente está uma tentativa de prever o futuro. O seu familiar é vulnerável, mas não necessariamente da forma como prevê. Ele até pode ser mais resiliente do que pensa. Além disso, apesar de ser verdade que o seu familiar precisa de si, estar fora por um determinado período de tempo não significa que a qualidade de vida do mesmo será sacrificada. Também aqui a mudança de mentalidade necessária pode passar pela partilha de responsabilidade.

“Não há ninguém que partilhe esta responsabilidade comigo”

 

Tem a certeza? Muitos cuidadores partem do princípio de que nenhum outro familiar ou amigo estão disponíveis e nunca chegam a perguntar. Por seu lado, os familiares e amigos não tomam a iniciativa de oferecer ajuda, ou fazem-no de um modo superficial ou pouco interventivo. Se sente que está sozinho na função de cuidador, talvez seja tempo de se sentar com alguém e abrir o coração. A ajuda vem por vezes de onde menos esperamos.

Por outro lado, há serviços de prestação de cuidados aos quais pode recorrer, seja temporariamente ou durante todo o ano. Pode por exemplo contratar uma assistente pessoal que o/a substitua durante alguns dias ou horas por semana, para ter tempo para tratar de assuntos seus, cuidar de si, estar com amigos, passear. Se o fizer durante o ano, será mais fácil na época de férias recorrer a esse serviço para poder, finalmente, ir de férias descansado.

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Fonte: Caregiving Tips: Vacations

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