Date: Abril 15, 2020

Author: Eu Consigo

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A Terapia Ocupacional em tempo de Covid-19

Os terapeutas ocupacionais são profissionais de saúde e, como tal, partilham muitas das preocupações sobre a própria segurança e a das pessoas que acompanham. Em centros de reabilitação, lares, casas particulares, muitos terapeutas ocupacionais continuam em funções, a potenciar a qualidade de vida de quem mais precisa. Outros, impedidos de contacto directo com os seus utentes, tiveram de reinventar a forma como trabalham e enfrentam novos desafios, usando uma das suas mais poderosas armas: a criatividade.

Em tempo de covid-19, a Associação Portuguesa de Terapeutas Ocupacionais foi chamada a participar no grupo de elaboração das orientações emitidas pela Direcção Geral de Saúde para prevenir a infecção nos cuidados de reabilitação domiciliários, uma resposta que se tornou ainda mais importante e necessária tendo em conta que passaram a existir mais altas hospitalares precoces, fecharam algumas das valências a que os utentes costumavam poder recorrer e assim existe um maior risco de agravamento do estado de muitos doentes.

Para além da obrigatoriedade de garantir que profissionais, utentes e cuidadores seguem a etiqueta respiratória, de lavagem de mãos e outras precauções básicas para controlo da infecção, os terapeutas ocupacionais devem suspender todas as sessões presenciais que possam ser supridas por via telefónica ou por outro meio de comunicação, nomeadamente a vídeo-chamada.

São no entanto consideradas imprescindíveis algumas visitas domiciliárias, particularmente em casos em que a sua suspensão comprometa gravemente o estado de saúde da pessoa. As orientações emitidas mencionam como excepções à suspensão, entre outras, as situações de patologia neuromotora em que haja risco de irreversibilidade devido à privação de cuidado; bem como as situações de patologia músculo-esquelética não cirúrgica quando se verifique grave comprometimento funcional que se agrave ou produza sequelas irreversíveis na ausência de cuidados de reabilitação.

Assim, cabe às instituições, aos terapeutas e também às pessoas cuidadas avaliarem, com base nestas recomendações, a relação entre o risco e o benefício que o acompanhamento terapêutico pode significar e decidirem sobre a aplicabilidade da suspensão de sessões de terapia ocupacional.

Novos desafios aos terapeutas ocupacionais

Nos casos em que seja necessário suspender o acompanhamento terapêutico presencial, há que avaliar igualmente a capacidade de utentes e cuidadores para utilizarem meios alternativos de comunicação com o terapeuta, tais como vídeo-chamadas, chats ou o telefone. Para muitos terapeutas ocupacionais seria impensável, até há bem pouco tempo, realizar sessões por estas vias, até porque esta é uma profissão na qual o contacto cara a cara tem um especial significado. No entanto, muitos profissionais estão a encontrar formas de se “reinventar”, partilhando recursos entre si e discutindo as melhores formas de interagir virtualmente com os seus clientes.

Simultaneamente, a Covid-19 trouxe aos terapeutas ocupacionais algumas áreas de trabalho nas quais surgem agora maiores preocupações. A primeira relaciona-se com a privação ocupacional de muitas pessoas que se encontram em isolamento ou quarentena, particularmente as que vivem sozinhas e as pessoas idosas, que se encontram mais isoladas uma vez que a idade avançada é um importante factor de risco. Para além de prover necessidades consideradas básicas como o acesso à alimentação, higiene e medicamentos, seria interessante que as diversas câmaras municipais pudessem assegurar a entrega ao domicílio de produtos e materiais essenciais à ocupação destas pessoas (livros, têxteis e material de costura, produtos de bricolage, entre muitos outros), bem como o acompanhamento, mesmo que à distância de algumas destas pessoas por um terapeuta ocupacional.

Outra preocupação diz respeito ao aumento inesperado do teletrabalho e do ensino à distância, que veio intensificar e desorganizar a rotina doméstica de muitas famílias. Encontrar soluções para uma convivência produtiva e ocupacionalmente equilibrada é um desafio que muitos terapeutas ocupacionais estão a abraçar, produzindo recomendações, apoiando a concepção de horários e a organização de espaços, supervisionando questões relacionadas com a ergonomia dos postos de trabalho em casa e apoiando as famílias com um nível de literacia digital abaixo da média, que se encontram neste contexto em maiores dificuldades, uma vez que, para além dos desafios escolares as crianças têm também de lidar com a compreensão de todo um sistema de utilização de aplicações e aparelhos com as quais não estão familiarizadas.

As famílias com crianças com necessidades especiais e os cuidadores informais de pessoas com deficiência ou com demência, são outros grupos-alvo que agora, mais do que nunca, necessitam de intervenções domiciliárias presenciais ou à distância em terapia ocupacional, visto que muitos dos centros de actividades ocupacionais, apoios escolares e outras respostas passaram a estar encerrados.

Mais do que nunca, o equilíbrio ocupacional e o apoio à população mais fragilizada tornam-se difíceis mas essenciais. Mais do que nunca, o mundo precisa dos terapeutas ocupacionais.

Para falar com um terapeuta ocupacional, contacte-nos.

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