A atividade da pessoa idosa – ameaça ou benefício?

A idade avançada, o risco de queda e o conformismo contribuem para que muitos cuidadores prefiram “jogar pelo seguro”, desaconselhando as pessoas idosas a deixar de se envolver em ocupações que lhes dariam prazer. No entanto, também se sabe que a inatividade e o isolamento aceleram o envelhecimento e a deterioração física e cognitiva. A solução pode ser capacitar a pessoa para o desempenho seguro da atividade, recorrendo a técnicos especializados.

idosa pintando

Entre vários tipos de discurso, costumamos ouvir “a minha mãe já não tem idade para isto. Está em casa sozinha e anda sempre a tomar conta do quintal… Se lhe acontece alguma coisa…” Ao que outros respondem ” deixe-a andar, que assim é que ela anda bem”.

Porque será que nos mantemos saudáveis a fazer coisas?

Ao fazer algo com um sentido, desenvolvemos uma ocupação. Ao fazermos uma ocupação temos sempre uma sensação de autonomia, mesmo que, por vezes, necessitemos de algum apoio. “Eu consigo fazer isto” é o que o nosso cérebro processa. Aliado a isto cresce a nossa capacidade de fazer melhor. Podemos ser melhores ou piores a fazer determinada coisa, no entanto não há nada que o treino e a repetição não nos ajudem a desenvolver. A par de tudo isto vêm os nossos relacionamentos, que se criam ou desenvolvem com base em tudo o que fazemos. Nasce uma amizade porque iniciámos uma atividade com outra pessoa, cresce uma amizade porque descobrimos que gostamos de fazer coisas semelhantes ou desenvolve-se uma amizade porque podemos colaborar fazendo alguma coisa por alguém.

E quando olhamos para o resultado final do nosso “fazer”, não há melhor sensação. São estes os pequenos sucessos da nossa vida que se transformam em grandes sucessos.

Para isso muitas vezes é necessário correr alguns riscos. Ousar tentar fazer.

Com o avanço da idade preferimos “jogar pelo seguro” e temos algum receio de deixar que os nossos familiares com mais idade façam determinadas coisas. O risco de queda ou a possibilidade de se perderem atormentam-nos. No entanto podemos conversar com a pessoa, colocar tudo na balança e ponderar o que será mais proveitoso. Se sentirmos que a pessoa consegue realizar determinada atividade, mesmo que esta tenha algum grau de desafio… Porque não tentar? Há atividades que são de baixo risco e outras que podem ser alteradas de modo a não colocar em risco a segurança da pessoa.

Os terapeutas ocupacionais são técnicos especializados que podem aconselhá-lo na escolha e adaptação de atividades, bem como no treino do desempenho das mesmas, para que a pessoa idosa possa, com maior grau de segurança, enfrentar e vencer pequenos desafios, manter-se ativa e assim desfrutar da sensação de dizer “Eu Consigo”.

Fátima Eusébio, Terapeuta Ocupacional

Caso necessite de ajuda a adaptar as tarefas do dia a dia de uma pessoa idosa, contacte-nos.

Se é cuidador, pode interessar-lhe ler “5 Palavras-Chave do Cuidador”

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