Depois do Traumatismo Crânio-Encefálico, como pode a Terapia Ocupacional ajudar?

“O acidente trouxe sequelas muito graves para o Roger e hoje, graças às sessões de Terapia Ocupacional em casa, ele se encontra num estágio bem melhor. A profissional Pâmela é muito dedicada e, a meu ver, fazer Terapia Ocupacional dentro da própria casa, faz uma enorme diferença, porque é aqui que ele faz suas refeições, sua higiene pessoal, entre outras atividades. Ele está dia após dia conseguindo retornar a atividade de vida diária”, declara a mãe, Rosa Marta (1).

O traumatismo crânio-encefálico (TCE) pode provocar disfunção neurológica que resulta do impacto entre o crânio e um agente externo, ocorrendo por exemplo após uma queda ou um acidente de automóvel (2). Estas disfunções variam desde ligeiras a muito severas, podendo comprometer componentes físicos, cognitivos e comportamentais e, consequentemente, afectar a capacidade da pessoa desempenhar as suas actividades da vida diária de forma independente.

Apesar da heterogeneidade das lesões, algumas das principais consequências identificadas entre as vítimas de TCE são alterações sensoriomotoras, deficit da coordenação manual, alterações da sensibilidade, da linguagem/comunicação e transtornos neuropsicológicos(3).

São comuns problemas de memória, confusão, cansaço ou ansiedade. A capacidade de desempenhar as tarefas da vida diária pode ser afectada, bem como o desempenho dos papéis que até à ocorrência do traumatismo eram habituais: de trabalhador, esposo, pai ou amigo, entre outros.

Contudo, apesar destas alterações, muitas pessoas com esta disfunção aprendem a viver uma vida produtiva, com qualidade e significado.

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Na fase de recuperação, cuja duração varia consoante a gravidade da lesão, existem estratégias que podem ser implementadas, quer durante o processo de reabilitação quer após a conclusão do mesmo, que visam a promoção da participação, desempenho e autonomia nas actividades da vida diária.

O terapeuta ocupacional avalia as capacidades motoras, cognitivas, sensoriais e comportamentais, bem como as actividades e ocupações pessoais e respectivos ambientes de desempenho. Em função das características de cada pessoa face à lesão, o terapeuta facilita e adapta a realização das actividades, promove a recuperação de capacidades, desenvolvendo estratégias compensatórias e indica ajudas externas que melhorem o desempenho em cada tarefa. Tudo com o fim de alcançar o máximo de autonomia de cada utente para a sua vida diária.

Eis algumas áreas de intervenção dos terapeutas ocupacionais que ajudam as vítimas de TCE :

Promover a segurança e autonomia

Um terapeuta ocupacional pode ser uma ajuda preciosa no momento da alta hospitalar. Numa visita ao domicílio pode avaliar a sua casa e recomendar adaptações ou equipamentos que promovam a sua segurança e autonomia. Caso existam dificuldades nas actividades da vida diária, tais como vestir-se, fazer a própria higiene, cozinhar ou conduzir, o terapeuta ocupacional pode intervir encontrando alternativas e ajudando-o a treinar novas formas de realizar essas actividades, ou promovendo a adopção de novas actividades que as substituam. Por exemplo, quando não for possível conduzir, o terapeuta ocupacional poderá ajudá-lo a treinar a utilização de um meio de transporte alternativo.

Promover a memória, atenção e organização

Depois de avaliar as suas capacidades e os objectivos que se propõe alcançar, um terapeuta ocupacional pode ajudá-lo a criar um plano diário e a implementar uma rotina que ajude a concretizá-los. Para tal, vai ajudá-lo a escolher os produtos de apoio que melhor se adeqúem ao seu caso, ajudá-lo a treinar a sua utilização e aplicá-la às diferentes actividades. Desta forma, torna-se mais fácil concretizar actividades da vida diária como fazer compras, preparar o jantar, ir para o trabalho ou a escola, participar em eventos sociais, entre muitas outras.

Sentir que controla as emoções e o comportamento

Um terapeuta ocupacional poderá a ajudá-lo a identificar os “gatilhos” da raiva ou frustração e encontrar estratégias para que consiga lidar com eles antes de perder o controlo. A intervenção poderá incluir técnicas de relaxamento e pensamento positivo, role-play de situações difíceis, discussão de comportamentos e treino das melhores formas de agir em momentos desafiantes. Se a causa da frustração é o facto de não conseguir realizar uma actividade, o terapeuta ocupacional poderá ensinar-lhe novas formas de a realizar de forma tão autónoma quanto possível, de modo a atingir os seus objectivos.

Participar em oportunidades de trabalho, aprendizagem ou voluntariado

Depois de uma avaliação cuidada do seu caso, o terapeuta ocupacional pode recomendar estratégias, adaptações e produtos de apoio que lhe permitam regressar ao trabalho, à escola ou realizar trabalho de voluntariado. Para além de trabalhar consigo para praticar e desenvolver as competências de que necessita, o terapeuta ocupacional poderá também trabalhar com as instituições para assegurar que estas providenciam o apoio de que necessita para ter sucesso.

A intervenção do terapeuta ocupacional após a alta hospitalar, e nomeadamente em contexto domiciliar, pode ainda incluir:

-Avaliação, treino e adaptações com vista à realização de transferências e posicionamentos de maneira segura;

-Avaliação, correcção e treino motor e postural;

-Reeducação da destreza dos membros superiores; treino para alteração de dominância em casos de membro dominante não funcional;

– Treino de integração na comunidade; -Informação, aconselhamento e formação a familiares e cuidadores;

-Avaliação de capacidades remanescentes para uma adequada reintegração profissional, incluindo possível orientação para uma nova profissão;

-Planificação de objectivos realistas a longo prazo: estudos, emprego, tempos livres;

-Motivação para novos interesses ocupacionais e recreativos adaptados às capacidades remanescentes;

-Treino da tolerância ao esforço e à frustração;


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Fontes:

(1)//www.crefito9.org.br/imprime.php?cid=725&sid=320

(2)//www.novamente.pt/o-que-e/

(3)//www.revistatog.com/suple/num4/cerebral.pdf

(4)//www.aota.org/about-occupational-therapy/patients-clients/disabilityandrehabilitation/tbi.aspx

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